– Oi. Eu queria emprestar uma obra rara.

– Obra rara não pode ser emprestada. Mas você pode fazer uma consulta local.

– Não sai nem pra xerox?

– Não. Se você quiser, você pode escanear a obra no nosso scanner.

– Mas eu preciso.

– Sinto muito. Mas você só pode usar aqui.

– Ok. Então deixa eu dar uma olhada.

Funcionária vai buscar a obra.

– E se eu precisar de uma obra rara de outra biblioteca.

– Você tem que ir até lá para consultar.

– Mas eles não podem enviar pra cá?

– Não. É uma obra rara. Obras raras não podem sem emprestadas entre bibliotecas para não danificar o material.

– Mas e se eu precisar desse material. Eles tem que enviar!

– Infelizmente não.

– Mas tem obras raras em museus, não tem? E se eu pedir pra um museu? Eles enviam, né?

– … (gente… museu?) Acredito que não.

Pausa longa.

– Nossa.. tá demorando pra moça achar o livro, né?

– É porque a sala está com uma lona.

– Uma lona? Está chovendo lá?

– Infelizmente sim.

– Que legal! Não pode emprestar mas pode chover na obra rara.

– Na verdade a lona foi colocada para não chover nos livros.

– Mas não tem outro lugar pra colocar os livros.

– Não. A biblioteca toda tem goteiras.

– Nem no Centro de documentação?

– Não. Lá também tem goteira.

Funcionária chega com o livro.

– Ah nossa. Nem vou usar isso. Obrigada

– …

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Todos os anos eu prometo pra mim mesma que entrarei em algum Desafio literário e seguirei lendo até completar todas as metas.
Todos os anos chega o meio do ano e eu não li nem um terço do que me propus.
Mas 2015 é um ano de grandes mudanças.
Então, resolvi entrar no Desafio Livrada 2015.
Vamos ver até onde eu aguento chegar!
Quem sabe, no fim do desafio, eu ainda consiga fazer um vídeo decente e mandar pro bonitão do Yuri? Hahahaha

O desafio consiste em 15 categorias, sendo elas:
1 – um livro policial: Céu de origamis, de Luiz Alfredo Garcia-Roza
2 – um livro infanto-juvenil: As bruxas, de Roald Dahl
3 – um livro de ficção científica: Eu, robô, de Isaac Asimov
4 – um livro escrito antes do século 20: A Sonata a Kreutzer, de Lev Tolstói
5 – um livro de ensaios, artigos ou crítica literária
6 – um livro que você já está querendo ler há mais de dois anos
7 – um romance com protagonista feminino
8 – um romance africano: O vendedor de pássaros, de José Eduardo Agualusa
9 – uma peça de teatro
10 – Um romance de realismo maravilhoso latino-americano
11 – um livro que todo mundo diz que merece uma chance mas você acha que não
12 – uma biografia
13 – um livrorreportagem
14 – um livro que virou filme.
15 – Pastoral Americana

UPDATE: já li 5 de 15! Faltam 10 hauhauhauhau
Alguns livros que estão na lista: A hora da estrela (Clarice Lispector), Corações sujos (Fernando Morais), Cem anos de solidão (Gabriel García Marquez).

😀

Já faz um tempo que temos que catalogar autoridades por aqui, e uma das coisas mais complexas é catalogar nomes japoneses.
Eu estou estudando a língua japonesa, mas ainda tenho muitas dificuldades em ler os kanjis e tal, principalmente porque quando se trata de nomes pessoais os kanjis podem ter leituras variadíssimas!

But… Wait!
Eu consegui criar 2 táticas simples para catalogar os nomes sem ter um conhecimento profundo em kanjis.
Em todos os casos sempre usarei o VIAF como fonte positiva dos dados, ok?

 

1. Usando os dados de ISBN na WorldCat

Se o livro tiver ISBN tudo fica mais fácil. Verifique o número sempre no verso do livro e procure-o na WorldCat.

 

a. Confronte os kanjis do título que estão na folha de rosto do livro com o registro encontrado, pra confirmar que o livro e o registro são correspondentes.

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b. Ok, o livro e o registro são correspondentes. Agora é só pegar o nome dos autores, pesquisar no VIAF e importar as autoridades para o sistema.

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c. No VIAF, eu procuro sempre primeiro os resultados da Library of Congress dos Estados Unidos, depois pelo país de origem e às vezes a Wikipédia.

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2. E se o livro não tiver ISBN? O que eu faço?

O nosso acervo tinha bastante livros antigos em língua japonesa sem ISBN, mas há uma forma de conseguir transliterar os nomes utilizando o Google Tradutor e o seu smartphone!

 

a. Para começar, você precisa ter um smartphone e instalar o Google Tradutor.

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b. Abra seu aplicativo e escolha as opções Japonês -> Português (ou inglês, aqui tanto faz).

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c. Tire uma foto da página de rosto, e espere o aplicativo escanear. Com a imagem escaneada selecione os kanjis que você quer transliterar.

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d. Clique na tradução e observe que abaixo dos kanjis vem a transliteração.

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e. Busque o termo transliterado no VIAF e importe o registro.

viafPara facilitar a busca, eu instalei as configurações de um teclado japonês no meu computador, e conforme eu digito o termo na busca do VIAF o romaji se transforma em hiragana e kanji. Mas aí é um passo mais avançado… um dia, quem sabe, eu explico huahauh

Qualquer dúvida, estou à disposição! 😉

Hello world!

Todo novo blog no WordPress começa com um “Hello world!”, e é o que estou fazendo agora hahaha (re)começando o blog.
Trabalho e estudo são coisas que acabam com o nosso tempo livre para escrever, refletir e discutir, quando não temos muita disciplina.

Resolução de 2014 é voltar a escrever aqui, então vamos começar logo, antes que o ano acabe!

(:

Em um mundo utópico, as editoras e as bibliotecas seriam parceiras no compartilhamento de metadados.
Haveriam bibliotecários trabalhando nas editoras e editores promovendo seus livros em bibliotecas.
Para começar, todos os livros já seriam catalogados nos sistemas da editora, dispensando a obrigatoriedade da ficha catalográfica.
Esses dados (ou metadados, como queira chamar) seriam disponibilizados para as bibliotecas que comprassem o material da editora, por meio de algum código ou senha. Se o material fosse digital, os metadados já seriam enviados junto com o ebook.
Já na biblioteca, os editores poderiam fazer exposições de suas obras, clubes de leitura, palestras e conversas literárias com seus autores.
Os bibliotecários ficariam mais livres do serviço técnico e poderiam dispor mais de seu tempo para o atendimento ao usuário e a antecipação de suas necessidades.
Neste mundo, os editores poderiam até ter uma pequena livraria dentro da biblioteca. E a biblioteca não iria precisar a toda hora ter que mandar encadernar livros “inencadernáveis”.
Com verba de adiantamento, a biblioteca conseguiria repor alguns exemplares muito usados mas que não pudessem mais ser recuperados.
O problema seria ter exemplares destruídos propositalmente. Mas neste mundo utópico, as pessoas não fariam isso.

Tem dias que chega usuário na biblioteca e eles pedem indicações de leitura sobre algum tema específico, e invariavelmente o Cleomar (que é quem por acaso (ou não) atende esses casos) vem me perguntar se eu tenho algo para indicar.
Já tivemos usuários que queriam romances de amor, contos brasileiros contemporâneos que relatassem algum aspecto sobre o desenvolvimento urbano, romances históricos sobre o Brasil, livros de ficção que possuíssem um aspecto jurídico em sua narrativa, entre outros.
Quando alguém pede um romance eu sempre costumo perguntar se é romance de amor, pois às vezes não é né… vai saber se a pessoa entende os gêneros literários ou não…
Tanto é que sempre que alguém pergunta pro Sérgio ele indica o Doutor Fausto ou Anna Karenina, e geralmente a pessoa quer uma coisa meio Nicholas Sparks sabe hauahuahu
E o Cleomar sempre sugere os clássicos brasileiros e portugueses, pois só foi o que ele leu nesse assunto hauhauah, ou seja, sempre sai A moreninha, Amor de perdição, Senhora.
Eu sempre acabo recorrendo aos atuais que eu conheço, mas como não leio muito esse tipo de livro fica difícil sugerir…

Eu creio que a gente só consegue sugerir a leitura de algo se a gente conhece a obra, isto é, leu o livro ou algum resumo, resenha, viu alguma crítica, etc.
Aí eu tento buscar na minha memória algo que eu consiga relacionar. Por exemplo: no caso do livro de ficção com algum aspecto jurídico foi um pedido de uma estagiária nossa que estuda Direito, e eu acabei sugerindo alguma coisa do John Grisham, que eu sei que o escritor era advogado antes de começar a publicar livros e sempre tem alguma coisa envolvendo essa área.
Mas quando tem um tema muito diferente, eu recorro ao santo Google ou à blogs de crítica literária. Geralmente eu dou uma olhada no Livrada, mas nem sempre a biblioteca possui os livros resenhados lá.
Então eu chego a conclusão de que para se sugerir livros bacanas para leitura devemos lê-los antes, ou não?
E quem deve fazer esse tipo de atendimento? São todos os bibliotecários? São os bibliotecários de referência? São os funcionários do balcão de empréstimo?

Eu acho que todo mundo pode e deve fazer sugestões de leitura.
Mas para isso é necessário ler.
O grande problema é que nem todo bibliotecário gosta de ler.
Há um grande estereótipo, ou ilusão, de que toda pessoa que trabalha em biblioteca gosta de ler, mas já conversei com diversos bibliotecários que DETESTAM ler. E ainda ouvi que se todo mundo que trabalhasse em biblioteca gostasse de ler, não haveria ninguém trabalhando nelas, pois estariam perdidos em suas estantes, lendo.
Será?
Não sei D:
Não tenho respostas pra isso…
E talvez aqui caiba iniciar um estudo sobre o nível de leitura dos bibliotecários atuantes.
Será que isso influi num bom atendimento ao usuário?
Uma vez ouvi a palestra da Eliane Mey sobre bibliotecários e leitura, e ela dizia que todo bibliotecário devia ler no mínimo um livro ao mês.
Assim seriam 12 livros ao ano. Se uma biblioteca universitária média possui cerca de 5 bibliotecários são 60 livros ao ano (cada um lendo um título diferente). Já seria uma boa lista de sugestão de leitura.
Talvez colocar isso como meta individual de cada servidor.
Preciso refletir melhor sobre o assunto.
Mas acho muito importante um bibliotecário, e mesmo o assistente (auxiliar, técnico, ou nome que for) de biblioteca, que goste de ler e que incentive a leitura.
Se você não gosta de ler, como você pode incentivar a leitura?
E sem leitura não há leitores… o que será de uma biblioteca sem leitores?
Uma biblioteca morta…

Mas o que me deixa mais triste, de verdade mesmo, é não ter mais tempo para ler meus livrinhos queridos… Comprei vários livros e não consegui ler nenhum ainda…
Atualmente estou com o livro “A misteriosa chama da rainha Loana”, do Umberto Eco, começado.
Triste não ter tempo D:

Quanto eu conseguir tempo (sei lá quando), juro que volto a ler hauhuah
E talvez comece um estudo sobre o quanto os bibliotecários tem lido.
Ou talvez um clube de leitura para bibliotecários..
Tempo! Preciso de tempo!

Desde que surgiu uma brilhante ideia para a minha dissertação, a qual minha orientadora achou interessante e me incentivou a desenvolvê-la, venho pensando muito na minha relação com o trabalho.
Enquanto estamos no plano teórico, tudo parece simples e tudo nós pensamos que conseguimos fazer. Mas quando chega a prática, você começa a fazer coisas que não fazem parte daquilo que, teoricamente, você acredita. Quando você trabalha, você age mais por instinto do que por razão, e aí que você descobre o que, de verdade, lá no fundinho mesmo, você acredita.

No meu caso, eu parei para refletir o quanto eu sou tecnicista no meu trabalho; e quando estou escrevendo minha dissertação, discutindo com os colegas de pesquisa, eu sou a pessoa mais humana do mundo. Eu penso no usuário, eu penso na informação, eu penso na usabilidade, e eu penso demais. Quando eu volto ao trabalho, eu penso apenas no acervo, no meu serviço, na minha seção, e dane-se se o usuário precisa do livro pra ontem.

Incrível isso. E o pior de tudo, é que eu gosto de ser tecnicista. Eu amo o que eu faço, por isso trabalho na catalogação. Mas penso que devo também começar a repensar todo o processo para que fique mais rápido e mais fácil ao usuário encontrar/usar a informação que precisa.

Eu costumo criticar muito o trabalho que é realizado na seção de referência. Mas o que a minha seção tem feito para minimizar os problemas com a informação? O que eu tenho feito para otimizar os processos?
Percebi que eu penso muito mais no acervo e em como deixá-lo perfeito, do que no usuário. A visão tem que mudar! É preciso começar a pensar na biblioteca como um local de acesso à informação, seja ela qual for, do que apenas num local de depósito de livros.