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Arquivo mensal: junho 2015

Depois de enrolar uns dois meses no Italo Calvino, dei uma pausa e troquei de categoria. Resolvi sair da ordem agora. Parar com essa mania de seguir listas ao pé da letra.
Escolhi ler O vendedor de passados, do José Eduardo Agualusa, na categoria Romance africano.
Nunca tinha lido nada de literatura africana. Aí vi que estreou este ano uma adaptação livre com o Lázaro Ramos e a Alinne Moraes, então resolvi pegar pra ler.
(Por ser uma adaptação livre não tem nem como comparar).

IMG_20150618_002413 O livro começa contando a história de Félix Ventura, oficialmente um genealogista, mas que na verdade é um homem que cria e vende passados falsos. Seus clientes são parte da emergente burguesia angolana que possui um presente e futuro próspero e estável, mas que gostariam de ter também um passado glorioso e ilustre.
A vida segue, até aparecer em sua casa um estrangeiro que pede não apenas um passado importante, mas também um nome, uma identidade, um presente novo. O misterioso homem não lhe fornece pista nenhuma de quem é, deixando uma quantia considerável de dinheiro para que o trabalho seja feito.
Félix Ventura entra num dilema, mas acaba criando uma identidade nova para esse homem, dando-lhe o nome de José Buchmann.
É a partir daí que a história se desenrola, sobre o presente e o misterioso passado de José Buchmann e o entrelaçamento de outras personagens.
O narrador também é uma das personagens mais interessantes da história. Narra tudo em primeira pessoa, como um ser onisciente, mas que aparentemente está participando da cena, sem que as outras personagens o percebam.
[Spoiler – selecione o seguinte parágrafo, pois a letra está em cor branca 🙂 ]
Demorei pra entender quem era o narrador, mesmo que ele tenha contado logo no começo do livro. Claro que essa capa é sensacional! E quando entendi o lance do narrador, parei e pensei: “Nossa, a capa já disse tudo!!”. Mas o que mais me intrigou foram os sonhos que ele tinha em sua forma humana, e não cheguei a descobrir se ele sempre foi uma osga ou se de repente, num lance meio kafkiano, ele era um homem que virou uma lagartixa africana. Talvez seja tudo uma criação do próprio Félix Ventura.

A leitura é fluída, leve e divertida. Li em cerca de 5 horas.

“A felicidade é quase sempre uma irresponsabilidade. Somos felizes durante os breves instantes em que fechamos os olhos.”
José Eduardo Agualusa, em O vendedor de passados