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Arquivo mensal: abril 2015

Cheguei à quarta categoria do Desafio Livrada: um livro escrito antes do século 20.
Pensei em vários autores ingleses, franceses, brasileiros, portugueses. Recorri ao Cleomar (leitor de grandes clássicos brasileiros) e pesquisamos no catálogo da biblioteca alguns clássicos universais. E no fim das contas, escolhi um russo.
Na verdade, eu queria ler Ana Karênina, mas a nossa edição está muito velha, caindo aos pedaços, com aquela capa preta de percalux. Então, olhei para os lados e encontrei A Sonata a Kreutzer. Livro novinho, bonitinho, fininho e publicado pela Editora 34.
Li a contracapa e as orelhas e achei que seria uma boa leitura.

IMG_20150415_170318812A história começa com um grande debate num vagão de trem, onde os personagens discorrem sobre a questão dos casamentos arranjados, dos casamentos por amor e dos divórcios. No meio de toda a discussão, um senhor (que não estava participando da conversa) interrompe e questiona aos demais que amor é este que santifica o matrimônio e por quanto tempo ele dura. Visivelmente perturbado, o homem continua a conversa, questionando, importunando, até revelar ser Pózdnichev, aquele que matou sua esposa por ciúme.
Os outros participantes do debate ficam constrangidos e a conversa se finda. Mas o nosso narrador é o seu companheiro de banco, e sendo uma pessoa muito educada e agradável (imaginei-o assim) acaba concordando em ouvir toda a história do pobre Pózdnichev, de como ele era, como conheceu e casou com sua esposa e o que o fez matá-la.
Resumindo, a história é essa.
Mas o que torna essa obra interessante é toda a discussão acerca dos valores da sociedade, do amor, do casamento, do sexo, da infidelidade, das traições.
Essa obra é misógina? Muito! Meu lado feminista dormente palpitou aqui! Mas enfim, outras eras…

É russo, mas não é difícil! Até porque você vai lendo e quer entender logo o que aconteceu para que as coisas ficassem tão ruins assim.
Melhor não casar, gente! Hahuahuahauhauhau

Segue um dos trechos que eu achei mais interessante:

– O senhor pergunta: como há de continuar a espécie humana? – disse ele, tornando a sentar-se em frente de mim, abrindo muito as pernas e apoiando-se nelas com os cotovelos. – Mas para que deve continuar a espécie humana?

– Como assim? De outro modo, nem existiríamos.

– E para quê temos de existir?

– Como: para quê? A fim de viver.

tolstoi– E para quê viver? Se não existe nenhum objetivo, se a vida nos foi dada simplesmente para ser vivida, não há motivo para viver. E se assim é, os Schopenhauer, os Hartmann e todos os budistas têm absoluta razão. Bem, mas se existe um objetivo na vida, torna-se evidente que a vida deve cessar desde que se atinja o objetivo. E é isto mesmo que se dá – disse ele com evidente perturbação, atribuindo provavelmente grande importância ao seu pensamento. – É isto mesmo que se dá. Observe o seguinte: se o objetivo da humanidade é o bem, a bondade, o amor, como se pretende; se o objetivo da humanidade é o que foi expresso nas profecias, que todos os homens hão de se unir pelo amor, que as lanças serão fundidas e transformadas em foices, e assim por diante, o que é que estorva o caminho para este objetivo? As paixões. A paixão mais forte e pior, a mais insistente, é o amor sexual, carnal, e por isso , se forem destruídas as paixões, inclusive a derradeira, a mais forte, o amor carnal, a profecia há de se cumprir, os homens hão de se unir, estará atingido o objetivo da humanidade, e esta não terá motivo para viver. Mas, enquanto a humanidade vive, tem diante de si o ideal, e naturalmente não é um ideal de coelhos ou de porcos, no sentido de se multiplicar o mais possível, nem de macacos ou de parisienses, no sentido de aproveitar o mais refinadamente os prazeres da paixão sexual, mas um ideal de bondade, alcançável pela abstenção e pela pureza. Os homens sempre tenderam e tendem para ele. E veja o que acontece.

Acontece que o amor carnal é uma válvula de segurança. Se a atual geração humana ainda não atingiu o objetivo, foi unicamente porque ela tem paixões, a mais forte das quais é a sexual. Mas existindo a paixão sexual, existe a nova geração, de modo que é possível alcançar o objetivo na geração seguinte. Esta não o alcança, surge mais uma, e assim será até que se atinja o objetivo, a profecia se realize e os homens se unam. Senão, o que seria? Admitamos que Deus criou os homens para atingir determinado objetivo, e que os criou mortais e desprovidos de paixão sexual, ou criou-os eternos. Se eles fossem mortais, mas desprovidos de paixão sexual, o que aconteceria? Eles teriam vivido sua existência e morrido sem atingir o objetivo; e para se atingir o objetivo, Deus precisaria criar mais gente. Mas se eles fossem eternos, admitamos (embora seja mais difícil aos mesmos homens, e não às novas gerações, corrigir os erros e aproximar-se da perfeição), eles atingiriam o objetivo depois de muitos milhares de anos, mas, neste caso, para quê seriam necessários? Onde metê-los? Assim como sucede agora, é o melhor de tudo…

Nem lembrava que o Yuri tinha feito resenha deste livro já.
Estava dando uma pesquisada no oráculo e encontrei o post dele.
Resolvi fazer uma singela homenagem hahahahaha

yuri

Confesso que ficção científica nunca foi um dos meus gêneros literários favoritos.
Não que eu tenha tentado ler vários livros, mas a temática em si nunca me atraiu.
Tentei seguir na linha de “livros que tenham na biblioteca” e peguei Neuromancer, do William Gibson.
Comecei o primeiro capítulo, e não entendi muita coisa. Tentei reler o capítulo de novo, mas já estava achando chato e cansativo.
Aí como a leitura não fluía, resolvi procurar algo nos livros que tenho no Kobo, e me deparei com Eu, robô, do Isaac Asimov.
Eu já tinha assistido o filme e tinha gostado bastante, mesmo sem lembrar nada da história.

asimovEntão, para minha surpresa o filme é apenas uma adaptação livre do livro.
Sim!! Nada de Will Smith aqui huahauha
Mas eu não lembro nada do filme, então pra mim deu quase na mesma.
O livro é na realidade uma coletânea de nove contos que foram publicados originalmente entre os anos 1940 e 1950 nas revistas americanas: Super Science Stories e Astounding Science Fiction. Durante a década de 1950, foram revistos e compilados para serem publicados como um livro.
Os nove contos contam a história da robótica na Terra através das memórias da Dra. Susan Calvin, a robopsicóloga-chefe da U.S. Robots and Mechanical Men Inc., que está sendo entrevistada para um jornal.
É neste livro também que aparece pela primeira vez as três leis da robótica:

  • 1ª Lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano sofra algum mal.
  • 2ª Lei: Um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a Primeira Lei.
  • 3ª Lei: Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou Segunda Leis.

Os contos estão dispostos em ordem cronológica, sendo eles:

  • Robbie
  • Brincando de Pique
  • Razão
  • Pegue aquele coelho!
  • Mentiroso!
  • Pequeno Robô perdido
  • Fuga!
  • Prova
  • O Conflito Evitável

O primeiro conto, Robbie, se passa no início da era robótica, quando os robôs ainda são mudos e só fazem pequenas tarefas, como cuidar de crianças, e vão se desenvolvendo até o último conto, em que o planeta Terra é governado e administrado a partir da previsão de 4 grandes robôs, conhecidos como as Máquinas, e que ditam o funcionamento da produção, consumo e emprego da mão-de-obra.

eu-robc3b4-ediouroMeu conto favorito é Mentiroso! (Liar!, no original), que conta a história de Herbie (robô modelo RB-34), um robô que devido a uma falha em sua produção acaba desenvolvendo habilidades telepáticas. Enquanto os três maiores especialistas em robôs da U.S. Robots and Mechanical Men Inc. tentam descobrir o que houve de errado na produção e o que gerou essa anormalidade robótica, Herbie conta a cada uma delas o que os outros estão pensando, gerando confusões e desentendimentos. O mais interessante é ver como funciona a lógica das leis robóticas estabelecidas por Asimov, e como tudo se resolve a base de pensamento lógico.

Não vou me alongar mais que isso.
Mas é um ótimo livro!!!
Recomendo que leiam, mesmo não gostando de ficção científica hehe

E vamos pra próxima categoria: 4 – um livro escrito antes do século 20 😀