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Arquivo mensal: agosto 2012

Tem dias que chega usuário na biblioteca e eles pedem indicações de leitura sobre algum tema específico, e invariavelmente o Cleomar (que é quem por acaso (ou não) atende esses casos) vem me perguntar se eu tenho algo para indicar.
Já tivemos usuários que queriam romances de amor, contos brasileiros contemporâneos que relatassem algum aspecto sobre o desenvolvimento urbano, romances históricos sobre o Brasil, livros de ficção que possuíssem um aspecto jurídico em sua narrativa, entre outros.
Quando alguém pede um romance eu sempre costumo perguntar se é romance de amor, pois às vezes não é né… vai saber se a pessoa entende os gêneros literários ou não…
Tanto é que sempre que alguém pergunta pro Sérgio ele indica o Doutor Fausto ou Anna Karenina, e geralmente a pessoa quer uma coisa meio Nicholas Sparks sabe hauahuahu
E o Cleomar sempre sugere os clássicos brasileiros e portugueses, pois só foi o que ele leu nesse assunto hauhauah, ou seja, sempre sai A moreninha, Amor de perdição, Senhora.
Eu sempre acabo recorrendo aos atuais que eu conheço, mas como não leio muito esse tipo de livro fica difícil sugerir…

Eu creio que a gente só consegue sugerir a leitura de algo se a gente conhece a obra, isto é, leu o livro ou algum resumo, resenha, viu alguma crítica, etc.
Aí eu tento buscar na minha memória algo que eu consiga relacionar. Por exemplo: no caso do livro de ficção com algum aspecto jurídico foi um pedido de uma estagiária nossa que estuda Direito, e eu acabei sugerindo alguma coisa do John Grisham, que eu sei que o escritor era advogado antes de começar a publicar livros e sempre tem alguma coisa envolvendo essa área.
Mas quando tem um tema muito diferente, eu recorro ao santo Google ou à blogs de crítica literária. Geralmente eu dou uma olhada no Livrada, mas nem sempre a biblioteca possui os livros resenhados lá.
Então eu chego a conclusão de que para se sugerir livros bacanas para leitura devemos lê-los antes, ou não?
E quem deve fazer esse tipo de atendimento? São todos os bibliotecários? São os bibliotecários de referência? São os funcionários do balcão de empréstimo?

Eu acho que todo mundo pode e deve fazer sugestões de leitura.
Mas para isso é necessário ler.
O grande problema é que nem todo bibliotecário gosta de ler.
Há um grande estereótipo, ou ilusão, de que toda pessoa que trabalha em biblioteca gosta de ler, mas já conversei com diversos bibliotecários que DETESTAM ler. E ainda ouvi que se todo mundo que trabalhasse em biblioteca gostasse de ler, não haveria ninguém trabalhando nelas, pois estariam perdidos em suas estantes, lendo.
Será?
Não sei D:
Não tenho respostas pra isso…
E talvez aqui caiba iniciar um estudo sobre o nível de leitura dos bibliotecários atuantes.
Será que isso influi num bom atendimento ao usuário?
Uma vez ouvi a palestra da Eliane Mey sobre bibliotecários e leitura, e ela dizia que todo bibliotecário devia ler no mínimo um livro ao mês.
Assim seriam 12 livros ao ano. Se uma biblioteca universitária média possui cerca de 5 bibliotecários são 60 livros ao ano (cada um lendo um título diferente). Já seria uma boa lista de sugestão de leitura.
Talvez colocar isso como meta individual de cada servidor.
Preciso refletir melhor sobre o assunto.
Mas acho muito importante um bibliotecário, e mesmo o assistente (auxiliar, técnico, ou nome que for) de biblioteca, que goste de ler e que incentive a leitura.
Se você não gosta de ler, como você pode incentivar a leitura?
E sem leitura não há leitores… o que será de uma biblioteca sem leitores?
Uma biblioteca morta…

Mas o que me deixa mais triste, de verdade mesmo, é não ter mais tempo para ler meus livrinhos queridos… Comprei vários livros e não consegui ler nenhum ainda…
Atualmente estou com o livro “A misteriosa chama da rainha Loana”, do Umberto Eco, começado.
Triste não ter tempo D:

Quanto eu conseguir tempo (sei lá quando), juro que volto a ler hauhuah
E talvez comece um estudo sobre o quanto os bibliotecários tem lido.
Ou talvez um clube de leitura para bibliotecários..
Tempo! Preciso de tempo!