[Faculdade] Ensino de graduação no Brasil: escolas e currículos

Apresentamos para a disciplina de Formação e Atuação Profissional um seminário sobre o ensino de graduação em Biblioteconomia no Brasil, apresentando as escolas e seus currículos. Abaixo, segue os slides utilizados na apresentação e o nosso “resumo expandido”.

ENSINO DE GRADUAÇÃO NO BRASIL: ESCOLAS E CURRÍCULOS

Angela Halen Claro Bembem, Bruna Silva Lara, Camila Gomes da Rocha, Camila Ribeiro, Etiene Siqueira de Oliveira, Laura Akie Saito Inafuko, Marcela Cecilia Inácio Evangelista

Disciplina “Formação e Atuação Profissional” – Biblioteconomia – 4º ano – UNESP

Mestranda Cíntia Gomes Pacheco

1 Breve histórico dos cursos de Biblioteconomia e os objetivos da pesquisa

A criação do primeiro curso de graduação em Biblioteconomia deu-se a partir de 1911, ocasião em que foi fundado o Curso de Biblioteconomia da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, durante a direção de Manoel Cícero Peregrino da Silva. O programa curricular do curso se inspirava no modelo francês da École de Chartes, sendo composto por disciplinas de Bibliografia, Paleografia, Numismática, Diplomática e Iconografia. Dessa forma, observa-se que a principal ênfase deste curso pioneiro estava voltada para o aspecto cultural e informativo (CALDIN; MENEZES; FACHIN; BOHN, 1999; OLIVEIRA; CARVALHO; SOUZA, 2009; SANTOS, 1998).

Com o passar dos anos, muitas transformações ocorreram nas grades curriculares dos cursos de Biblioteconomia, como por exemplo, o estabelecimento do primeiro Currículo Mínimo, durante os anos 60, e do segundo Currículo Mínimo, por volta dos anos 80. Já no ano de 2001, foram aprovadas as Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de Biblioteconomia, sendo estas ainda vigentes. Tais diretrizes determinam que os formandos em Biblioteconomia devam possuir as seguintes habilidades e competências (OLIVEIRA; CARVALHO; SOUZA, 2009):

A) Gerais:

  • gerar produtos a partir dos conhecimentos adquiridos e divulgá-los;
  • formular e executar políticas institucionais;
  • elaborar, coordenar, executar e avaliar planos, programas e projetos;
  • utilizar racionalmente os recursos disponíveis;
  • desenvolver e utilizar novas tecnologias;
  • traduzir as necessidades de indivíduos, grupos e comunidades nas respectivas áreas de atuação;
  • desenvolver atividades profissionais autônomas, de modo a orientar, dirigir, assessorar, prestar consultoria, realizar perícias e emitir laudos técnicos e pareceres;
  • responder a demandas sociais de informação produzidas pelas transformações tecnológicas que caracterizam o mundo contemporâneo.

B) Específicas:

  • interagir e agregar valor nos processos de geração, transferência e uso da informação, em todo e qualquer ambiente;
  • criticar, investigar, propor, planejar, executar e avaliar recursos e produtos de informação;
  • trabalhar com fontes de informação de qualquer natureza;
  • processar a informação registrada em diferentes tipos de suporte, mediante a aplicação de conhecimentos teóricos e práticos de coleta, processamento, armazenamento e difusão da informação;
  • realizar pesquisas relativas a produtos, processamento, transferência e uso da informação.

Diante de tantas mudanças, objetiva-se, a partir deste trabalho, analisar e identificar as tendências e os enfoques dos cursos de Biblioteconomia por regiões do país, além de identificar semelhanças e diferenças de cada um. Para isso foram levantados os números de cursos de graduação em Biblioteconomia no Brasil, oferecidos por universidades públicas e privadas de todo o país, utilizando a base de dados do e-MEC[1].

2 Materiais e Métodos

O e-MEC é o sistema eletrônico de acompanhamento dos processos de credenciamento e recredenciamento de instituições de ensino superior e de autorização, renovação e reconhecimento de cursos, além dos processos de aditamento. Durante a pesquisa realizada no sistema foram utilizados os seguintes termos: “Biblioteconomia”, “Biblioteconomia e Ciência da Informação”, “Biblioteconomia e Documentação” e “Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação” resultando em 41 cursos em atividade.

Após o levantamento, foram verificados os sites de cada instituição, buscando identificar se estes disponibilizavam informações referentes aos cursos de Biblioteconomia, em especial, informações sobre a grade curricular.

Dos 41 sites pesquisados, apenas 25 continham informações suficientes para a análise deste trabalho. Assim, restringiu-se o número de escolas a serem estudados, constituindo-se em cerca de 61% os cursos analisados.

Para a análise curricular, utilizou-se os parâmetros do Mercosul, apresentado por Santos (2008), para o estabelecimento do núcleo principal de conhecimentos divididos em 6 grandes áreas:

  • Área 1: Fundamentos Teóricos da Biblioteconomia e da Ciência da Informação
  • Área 2: Processamento da Informação
  • Área 3: Recursos e Serviços de Informação
  • Área 4: Gestão de Unidades de Informação
  • Área 5: Tecnologia da Informação
  • Área 6: Pesquisa

Foi acrescentado uma área 7, denominada “Interdisciplinar”, visto a grande interdisciplinaridade da própria área.

3 Resultados e Considerações

Apontamos como resultados obtidos no decorrer da análise dos currículos de Biblioteconomia selecionados e elencados nas seis áreas já especificadas (Fundamentos Teóricos de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação; Processamento da Informação, Recursos e Serviços de Informação; Gestão de Unidade de Informação; Tecnologia da Informação; Pesquisa; e a incluída por nós, Interdisciplinaridade) e ditas como essenciais para a formação do profissional.

Na região Sudeste pode-se observar que, as disciplinas que envolvem processamento de informação são tratadas com maior ênfase. Já as disciplinas relacionadas a Tecnologia da Informação, não são abordadas nos cursos de maneira representativa.

Em oposição à região Sudeste, na região Sul, as disciplinas de Tecnologias da Informação se destacam, e um enfoque insignificante é dado na linha de Pesquisa.

No Centro-Oeste, é contrastante o enfoque dado à interdisciplinaridade da área, isso se dá, devido ao fato de a UNB proporcionar aos seus alunos a autonomia na elaboração da grade curricular, a qual disponibiliza uma um variado leque de opções no que se diz respeito a essa interdisciplinaridade e, quase não aparece nos gráficos às disciplinas que enfocam a pesquisa.

E por ultimo, as regiões Norte e Nordeste, que nesse estudo foram reunidas devido ao fato de a maioria das universidades nortistas não disponibilizarem seus currículos, dificultando assim a analise proposta. As universidades contempladas pela amostra mostraram que enfocam suas disciplinas na área de Processamento da Informação, e menor enfoque nas disciplinas de Gestão da Informação e nas de Interdisciplinaridades. O aspecto a se destacar nessa região é o fato de sua grade curricular ser mais equilibra que nas demais regiões.

Assim, pode se supor que os currículos cumprem com as exigências do mec, bem como fornece subsídios para uma atuação profissional adequada, faltando apenas uma maior uniformidade dos currículos.

4 Referências

CALDIN, C. F.; MENEZES, E. M.; FACHIN, G. R. B.; BOHN, M. D. C. Os 25 anos do ensino de Biblioteconomia na UFSC. Encontros Bibli: Revista Eletrônica de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Florianópolis, v. 4 n. 7, p. 7-13, 1999. Disponível em: <http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/eb/article/view/37/5040>. Acesso em: 18 maio 2010.

OLIVEIRA, M.; CARVALHO, G. F.; SOUZA, G. T. Trajetória histórica do ensino da Biblioteconomia no Brasil. Informação & Sociedade: Estudos, João Pessoa, v.19, n.3, p. 13-24, set./dez. 2009. Disponível em: <http://www.ies.ufpb.br/ojs2/index.php/ies/article/view/3754/3167>. Acesso em: 18 maio 2010.

SANTOS, J. P. Reflexões sobre currículo e legislação na área da Biblioteconomia. Encontros Bibli: Revista Eletrônica de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Florianópolis, v. 3, n. 6, p. 1-12, 1998. Disponível em: <http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/eb/article/view/17/5035>. Acesso em: 18 maio 2010.


[1] Disponível em: http://emec.mec.gov.br/

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5 comentários
  1. Hugo Oliveira disse:

    Ralmente é um trabalho bastante interessante, mas você esqueceu de colocar no seu trabalho a Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, sendo que a mesma possui graduação em biblioteconomia há 60 anos.

    • Na verdade não esquecemos…
      O que esquecemos foi de comentar quais as faculdades que não conseguimos acessar a grade curricular.
      Infelizmente, não conseguimos a grade curricular do curso da UFMG. Não tínhamos tempo hábil para solicitar ao departamento da ECI (confesso: deixamos para a última semana toda a compilação dos dados e tal…).
      Solicitei a um conhecido que estuda lá, mas ele não me respondeu…
      E então resolvemos deixar essa escola de fora do estudo.
      Foi uma decisão difícil, pois como você mesmo disse, é uma escola antiga, tradicional.
      Além desta, outras ficaram de fora do estudo também, como por exemplo a UNIRIO.

      Mas, que bom que gostou!
      E obrigada pela visita e pela oportunidade de esclarecimento!

  2. Muito bom trabalho. Foi bastante útil pra mim que estou começando na Biblioteconomia. Assim, posso ter uma rápida visão das diferenças e semelhanças entre os cursos. Até mais.

  3. Fiz uma repostagem no meu blog, pela ferramente do wordpress. Me avise se estiver fora dos termos da licença. Obrigada.

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